Comentário sobre o texto "A Fábrica" em 09/12/2014
Os quatro movimentos de transformação do ato de fabricar para Flusser são: Apropriação (mãos), Conversão (ferramenta), Aplicação(máquina) e Utilização (apárelhos eletrônicos).
As principais noções de fábrica identificadas no texto são as seguintes: "A Fábrica é, portanto, uma criação comum e característica a espécie humana, aquilo a que já se chamou de "dignidade" humana. Podem-se reconhecer os homens por suas fábricas." "Portanto, as fábricas são lugares onde aquilo que é dado (Gegebenes) é convertido em algo feito (Gemachtes), e com isso as informações herdadas tornam-se cada vez menos significativas, ao contrário das informações adquiridas, aprendidas, que são cada vez mais relevantes. As fábricas são lugares em que os homens se tornam cada vez menos naturais e cada vez mais artificiais, precisamente pelo fato de que as coisas convertidas, transformadas, ou seja, o produto fabricado, reagem à investida do homem: um sapateiro não faz unicamente sapatos de couro, mas também, por meio de sua atividade, faz de si mesmo um sapateiro. Dito de outra maneira: as fábricas são lugares onde sempre são produzidas novas formas de homens: primeiro, o homem-mão-depois, o homem-+ferramenta, em seguida, o homem-máquinae finalmente, o homem-aparelhos-eletrônicos. Repetindo: essa é a história da humanidade."
" Fica evidente que a fábrica não é outra coisa senão a escola aplicada, e a escola não é mais que uma fábrica para aquisição de informações. E somente nesse momento o termo Homo Faber adquire total dignidade."
A terceira Revolução Industrial no texto é aquela que implica à substituição de máquinas por aparelhos eletrônicos.
O pequeno problema identificado por Flusse quando da visada telemática, pós-industrial e pós-histórica: quanto mais complexas se tornam as ferramentas, mais abstratas são as suas funções. As máquinas exigiam não apenas informação empírica, mas também teórica, e isso explica o porquê da escolaridade obrigatória: escolas primárias que ensinem o manejo de máquinas, escolas secundárias para o ensino da manutenção das máquinas e escolas superiores que ensinem a construir novas máquinas. Os aparelhos eletrônicos exigem um processo de aprendizagem ainda maid abstrato e o desenvolvimento de disciplinas que de modo geral ainda não se encontram acessíveis. A rede telemática que conecta os homens com os aparelhos e o consequente desaparecimento da fábrica ( para ser mais preciso: o consequente processo de desmaterialização da fábrica) pressupõem que todos os homens devam ser competentes o suficiente para isso. Mas não se pode confiar nessa pressuposição.
A noção de escola apresentada por Flusser é a seguinte: pode-se imaginar qual será o aspecto das fábricas no futuro: serão como escolas. Deverão ser locais em que os homens aprendam como funcionam os aparelhos eletrônicos, de forma que esses aparelhos possam depois, em lugar dos homens, promover a transformação da natureza em cultura. E os homens do futuro, por sua vez, nas fábricas do futuro, aprenderão essa operação com aparelhos, em aparelhos e de aparelhos. Em função disso, a fábrica do futuro deverá assemelhar-se mais a laboratórios científicos, academias de arte, bibliotecas e discotecas do que as fábricas atuais. E o homem aparelho (Apparatmennschen) do futuro deverá ser pensado mais como um acadêmico do que como um operário, um trabalhador ou um engenheiro.
Relacionando essa noção com a realidade em que vivemos infelizmente não temos acesso a que esses aparelhos em lugar dos homens irá promover a transformação da natureza em cultura. Talvez quem sabe num outro futuro.
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