terça-feira, 6 de janeiro de 2015


Comentário sobre o texto "A Fábrica" em 09/12/2014


Os quatro movimentos de transformação do ato de fabricar para Flusser são: Apropriação (mãos), Conversão (ferramenta), Aplicação(máquina)  e Utilização (apárelhos eletrônicos).
             As principais noções de fábrica identificadas no texto são as seguintes: "A Fábrica é, portanto, uma criação comum e característica a espécie humana, aquilo a que já se chamou de "dignidade" humana.  Podem-se reconhecer os homens por suas fábricas."  "Portanto, as fábricas são lugares onde aquilo que é dado (Gegebenes) é convertido em algo feito (Gemachtes), e com isso as informações herdadas tornam-se cada vez menos significativas, ao contrário das informações adquiridas, aprendidas, que são cada vez mais relevantes.  As fábricas são lugares em que os homens se tornam cada vez menos naturais e cada vez mais artificiais, precisamente pelo fato de que as coisas convertidas, transformadas, ou seja, o produto fabricado, reagem à investida do homem: um sapateiro não faz unicamente sapatos de couro, mas também, por meio de sua atividade, faz de si mesmo um sapateiro.  Dito de outra maneira: as fábricas são lugares onde sempre são produzidas novas formas de homens: primeiro, o homem-mão-depois, o homem-+ferramenta, em seguida, o homem-máquinae finalmente, o homem-aparelhos-eletrônicos.  Repetindo: essa é a história da humanidade."  
            " Fica evidente que a fábrica não é outra coisa senão a escola aplicada, e a escola não é mais que uma fábrica para aquisição de informações.  E somente nesse momento o termo Homo Faber adquire total dignidade."
              A terceira Revolução Industrial no texto é aquela que implica à substituição de máquinas por aparelhos eletrônicos.
               O pequeno problema identificado por Flusse quando da visada telemática, pós-industrial e pós-histórica: quanto mais complexas se tornam as ferramentas, mais abstratas são as suas funções.  As máquinas exigiam não apenas informação empírica, mas também teórica, e isso explica o porquê da escolaridade obrigatória: escolas primárias que ensinem o manejo de máquinas, escolas secundárias para o ensino da manutenção das máquinas e escolas superiores que ensinem a construir novas máquinas.  Os aparelhos eletrônicos exigem um processo de aprendizagem ainda maid abstrato e o desenvolvimento de disciplinas que de modo geral ainda não se encontram acessíveis.  A rede telemática que conecta os homens com os aparelhos e o consequente desaparecimento da fábrica ( para ser mais preciso: o consequente processo de desmaterialização da fábrica) pressupõem que todos os homens devam ser competentes o suficiente para isso.  Mas não se pode confiar nessa pressuposição.
                A noção de escola apresentada por Flusser é a seguinte: pode-se imaginar qual será o aspecto das fábricas no futuro: serão como escolas.  Deverão ser locais em que os homens aprendam como funcionam os aparelhos eletrônicos, de forma que esses aparelhos possam depois, em lugar dos homens, promover a transformação da natureza em cultura.  E os homens do futuro, por sua vez, nas fábricas do futuro, aprenderão essa operação com aparelhos, em aparelhos e de aparelhos.  Em função disso, a fábrica do futuro deverá assemelhar-se mais a laboratórios científicos, academias de arte, bibliotecas e discotecas do que as fábricas atuais.  E o homem aparelho (Apparatmennschen) do futuro deverá ser pensado mais como um acadêmico do que como um operário, um trabalhador ou um engenheiro.   
               Relacionando essa noção com a realidade em que vivemos infelizmente não temos acesso a que esses aparelhos em lugar dos homens irá promover a transformação da natureza em cultura.  Talvez quem sabe num outro futuro.

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